Foste assim, depressa, como um vento de sul que se levanta de repente e varre a Meia Praia em Lagos, onde passei tantos meses da minha infância. Nem te vi ir embora tão preso estava com o problema de quem dança com quem e onde dança, a vergonha do tratado europeu e o pornográfico e deprimente final de uma gala feita por felinos.
Achas estranho? Eu não acho… Sei que havia muito tempo que não me apetecia escrever. Não me apetecia escrever nada a ninguém… e contigo ou por ti ou por causa de ti apetece-me escrever o que me passa pela cabeça, assim de rajada as palavras saem dos meus dedos mesmo com erros ortográficos aos quais nem dou importância pois se as palavras assim saem é porque saem daqui de dentro como as penso, como as sinto…
Tenho mesmo que escrever? Não podemos falar? Sim podemos e sim quero falar… Passaria o resto da noite e do dia e das madrugadas a falar contigo sobre tudo e sobre nada e sobretudo sobre tudo e sobre tudo o que ainda está para vir… essa coisa a que chamam o futuro.
E do passado e do presente que é sempre metade passado e metade futuro…
Achas estranho já sei… Também eu acho estranho sentir-me assim mas é um estranho bom como um corpo estranho dentro de mim que me faz sorrir e até olhar o mundo de uma maneira mais positiva…
Foste assim depressa e eu preso com canais de televisão e cervejas que são só espuma e o gato pornográfico e deprimente… E foste mas ficas em mim, como tens estado em mim…
Não sei se não te lembras ou se não te queres lembrar. Não sei se todas as barreiras que colocas ao meu sentir e tudo o que questionas sobre o meu sentir o questionas a mim ou a ti mesma. Não sei. Quero saber.
E agora mesmo sei-te a caminho de casa e de um estudo que não queres estudar depois de uma tarde passada lado a lado em que por momentos desejei que fosse um sofá num T0 algures em Lisboa por €300 num Domingo à tarde onde, lado a lado, iríamos rir do gato pornográfico sem que mais ninguém nos chateasse.
Achas estranho?
Eu não.
Gosto mesmo de ti.