Publicado por: fjgf | Junho 24, 2007

Depois do Talvez…

Foste assim, depressa, como um vento de sul que se levanta de repente e varre a Meia Praia em Lagos, onde passei tantos meses da minha infância. Nem te vi ir embora tão preso estava com o problema de quem dança com quem e onde dança, a vergonha do tratado europeu e o pornográfico e deprimente final de uma gala feita por felinos.

 Achas estranho? Eu não acho… Sei que havia muito tempo que não me apetecia escrever. Não me apetecia escrever nada a ninguém… e contigo ou por ti ou por causa de ti apetece-me escrever o que me passa pela cabeça, assim de rajada as palavras saem dos meus dedos mesmo com erros ortográficos aos quais nem dou importância pois se as palavras assim saem é porque saem daqui de dentro como as penso, como as sinto…

Tenho mesmo que escrever? Não podemos falar? Sim podemos e sim quero falar… Passaria o resto da noite e do dia e das madrugadas a falar contigo sobre tudo e sobre nada e sobretudo sobre tudo e sobre tudo o que ainda está para vir… essa coisa a que chamam o futuro.

E do passado e do presente que é sempre metade passado e metade futuro…

Achas estranho já sei… Também eu acho estranho sentir-me assim mas é um estranho bom como um corpo estranho dentro de mim que me faz sorrir e até olhar o mundo de uma maneira mais positiva…

Foste assim depressa e eu preso com canais de televisão e cervejas que são só espuma e o gato pornográfico e deprimente… E foste mas ficas em mim, como tens estado em mim…

Não sei se não te lembras ou se não te queres lembrar. Não sei se todas as barreiras que colocas ao meu sentir e tudo o que questionas sobre o meu sentir o questionas a mim ou a ti mesma. Não sei. Quero saber.

E agora mesmo sei-te a caminho de casa e de um estudo que não queres estudar depois de uma tarde passada lado a lado em que por momentos desejei que fosse um sofá num T0 algures em Lisboa por €300 num Domingo à tarde onde, lado a lado, iríamos rir do gato pornográfico sem que mais ninguém nos chateasse.

Achas estranho?

Eu não.

Gosto mesmo de ti.

Publicado por: fjgf | Junho 2, 2007

Talvez

Talvez

Talvez nunca leias estas linhas, não sei. Isso na realidade só dependerá de ti. Guardo ainda essa imagem da tua mão a acenar um adeus com um sorriso. Apanhei-me a mim mesmo parado ali à espera de não sei bem o quê para depois perceber que era para te dizer adeus. Depois de teres ido embora tentei afastar-te do meu pensamento. Tentei, a sério que tentei.

Tentei e tento perceber de onde vem esta empatia que, até prova em contrário, é apenas unidireccional. Sei que vou deixar de tentar perceber. Conheço-me o suficiente bem para deixar de tentar perceber o que vai dentro de mim para apenas o sentir. Penso em ti. Agora mesmo penso em ti. Penso quem serás, o que fazes agora, em que pensas, com o que sonhas, como é o ar que respiras… Não abandonaste os meus pensamentos desde o dia em que te vi e não quero que abanones os meus pensamentos.

Por mais que não seja despertas a poesia que há em mim. Uma poesia adormecida que despertou para te fazer esboçar sorrisos e que agora me invade de novo. Por mais que não seja por isso já te estarei para sempre agradecido, não sabes o quanto.

Talvez nunca leias estas linhas mas no meu mais intímo espero que sim. Que a curiosidade te desperte um dia e que venhas aqui e encontres aquilo que não te sei dizer ou consigo dizer.

E no meu pensamento fica a idea que te deveria ter pedido o teu número de telefone. Pois as horas que nos separam até que te veja de novo vão ser séculos incontáveis de suspiros e de pensamentos…

Talvez nunca leias estas linhas mas até nos vermos de novo pensarei em ti, em quem serás, o que fazes, que sonhas e de que côr é o ar que respiras…

Publicado por: fjgf | Maio 30, 2007

Sim

Adeus

 Sim, já te disse que sim. Nos últimos 9 meses já te disse que sim vezes sem conta. Sim, não te quero mais na minha vida. Sim, deixei de existir no teu universo por opção própria. E já te o disse, sempre te o disse. Sim, mentiste-me pensando que a verdade nunca seria descoberta e quando o foi, fizeste com que eu pensasse o injusto que era em duvidar de ti. Sim, fui injusto porque nunca pensei que a mentira fosse tão produnda e tão sem sentido. No fundo do fundo pensei que houvesse uma razão mas não havia. Sim, não havia.

Desde então, em todas as chamadas de números anónimos que me fazes, que de anónimas não têm nada pois sei que és tu, mesmo antes de atender, mesmo antes de ouvir a tua voz que diz “Como estás?” como se na realidade te importasses.

Sim, deixaste de existir dentro de mim, até o desejo por ti se foi. Tudo se foi como uma chuva de estrelas cadentes fora do prazo de validade.

Sim, já não existes em mim.

Sim, não te amo mais.

Sim, é adeus para sempre.

Publicado por: fjgf | Maio 29, 2007

O que é doce nunca amargoa

Doce Amargo

Preferimos a luz à escuridão, o doce ao amargo, a presença à ausência, o riso ao choro, a felecidade à infelicidade. Queremos ser felizes para sempre, eternamente felizes para sempre e o nascimento é celebrado com luz e a morte com as trevas.

Desejamos um mundo em paz, sem dor, sem pobreza, sem miséria, sem guerras, dias cheios de sol e calor.

Desejamos ruas sem trânsito, praias vazias. Desejamos saír a uma quinta-feira de ponte e não apanhar trânsito.

 Desejamos apenas o positivo.

No entanto esquecemo-nos que sem o negativo não poderíamos nunca saborear o positivo.

Sem nunca chorarmos nunca poderíamos sentir o prazer de uma gargalhada honesta.

Sem nunca provarmos o limão amargo nunca nos poderíamos  deliciar com o doce do mel.

 Sem nunca sentirmos aquele frio que nos gela até a alma poderíamos saber o prazer de uma tarde passada ao calor do sol.

Para tudo um positivo existe um negativo. Para o amargo, o seu negativo é o doce. Para o doce, o seu negativo é o amargo. Para tudo… Para tudo?

Não, não para tudo. Quando estamos acordados não sabemos o que é o negativo. Sim, é estar a dormir, mas o que é estar a dormir? É não estar acordado. Mas como sei eu que estou acordado? Porque não estou a dormir. E como sei eu que estou a dormir? Porque não estou acordado. Ou seja o negativo de estar acordado é baseado na negação de estar acordado e não de algo que podemos experienciar conscientemente.

E é nisto que o sono se compara tantas vezes com a morte desde sempre. É que  o negativo de estar morto é estar vivo e o negativo de estar vivo não se pode experienciar.

Publicado por: fjgf | Maio 29, 2007

Chuva

Rain

Existem nítidamente dois tipos de pessoas:

Aqueles que quando chove correm desesperados em direcção a um sítio onde as gotas não possam invadir, como a propoganda invade as caixas de correio, uma única peça do seu vestuário.

Estes são aqueles para quem a meteorologia, com o seu carácter caótico e desordenado deveria ser abolida das regras do Universo sendo substítuida por algo como “O seu tempo a lá carte” no qual, e ligando para um número de valor absurdamente acrescentado, estas pessoas, poderiam escolher o tempo que queriam para determinado dia todos os dias a todas as horas.

 Depois existem aqueles para quem, quando a chuva cai, não lhes interessa se os sapatos ficam molhados, as meias encharcadas, a camisa colada ao corpo… Quando a chuva cai, estes seres, ficam maravilhados a olhar para o reflexo de cada gota na pedra da calçada, a curva que a àgua faz ao descer a rua por entre as linhas do eléctrico e admiram os ritmos quebrados que todas as gotas fazem ao bater nas diversas superfícies incluíndo as do seus corpos.

 Estes são seres calmos, para quem a chuva traz novas maneiras de olhar para a cidade que sempre os rodeia e que olham para os outros que correm a proteger-se da chuva com um sorriso de quem sabe que quanto mais correrem mais gotas de chuva vão levantar do asfalto molhando, assim muito mais, os seus sapatos fartos de correr.

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